Publicado em 14/08/14

Armando Ferrentini*
 
1. Não poderia ser outro o tópico de abertura deste editorial, senão o de uma homenagem a esse gigante e um dos pioneiros do jornalismo publicitário no Brasil, Elóy Simões.
 
Amigo de todos e incapaz de qualquer demonstração de desafeto, Simões foi redator em muitas grandes agências de propaganda do nosso mercado, assinando em paralelo à sua carreira profissional diversas colunas sobre propaganda em jornais do país.
 
Foi diretor de redação da revista Propaganda e do Caderno de Marketing, um apêndice anual do propmark que trazia os resultados do Colunistas (ainda em uma única versão abrangendo o eixo Rio-São Paulo) e uma análise completa do mercado nos últimos doze meses que antecediam a publicação.
 
Autor de vários livros sobre publicidade, com destaque para “Bordões, slogans & conceitos na publicidade brasileira” (Editora Unisul), teve papel relevante na consolidação do Colunistas, de cujos júris participou até o ano passado.
 
Quando, nesses júris, restava uma dúvida entre os jurados sobre a qualidade de um trabalho concorrente, em comparação com outros exponenciais, sua palavra era definitiva, enumerando um a um todos os porquês dos trabalhos em disputa naquele momento e convencendo o colegiado sobre o que merecia o prêmio maior.
 
Elóy Simões era um apaixonado pelo ensino publicitário, sendo com frequência convidado a ministrar aulas e palestras em escolas e seminários sobre a comunicação do marketing.
 
Destacou-se como professor na ESPM e no Curso de Comunicação Social da Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul, do qual foi inclusive coordenador de marketing.
 
2. A maior homenagem que se pode prestar a uma figura exemplar como foi Elóy Simões, é reproduzir palavras de alguns dos seus incontáveis amigos ao saberem da sua morte.
 
Começamos por José Roberto Penteado, diretor-presidente da ESPM:
 
“Eloy era um grande amigo e um publicitário exemplar. Entre suas maiores contribuições estão a sua permanente atividade como professor, – inclusive na ESPM – e também em faculdades de SP e Sta. Catarina. Também destacou-se por defender sempre, em toda a parte, a importância e a dignidade da profissão de publicitário. Em ambas as atividades, era um grande comunicador: seu texto – jornalístico ou publicitário – era impecável; e as suas observações, coloridas por fina ironia, sempre produziam bons resultados, fosse em vendas de produtos e serviços, fosse na persuasão ao interlocutor sobre suas ideias, sempre bem-intencionadas”.
 
Luiz Lara assim manifestou: “Perdemos o Eloy, que sabia tudo de propaganda. Escreveu ótimos livros. Um craque!”.
 
As palavras de Alexis Pagliarini: “Elóy foi um dos inspiradores da minha carreira profissional. Que descanse em paz!”.
 
Hiran Castelo Branco: “Perdemos um amigo”.
 
Oscar Colucci: É a vida. O Elóy era muito querido por todos e uma grande alma. “Fique em paz, com Deus”.
 
José Francisco Queiroz: “Mais um grande cara se vai. Triste. Não terei mais ninguém a me chamar de Zé Fran”.
 
Ivan Marques: “Foi meu professor de Redação Publicitária na ESPM e uma grande referência nos meus anos de profissão. Uma pena e perda irreparável para todos nós que amamos nosso trabalho e pessoas como ele. Condolências à família”.
 
Oscar Mattos: “Elóy leva consigo uma parte da história da propaganda brasileira. Uma pena!”.
 
Angelo Franzão: “Triste, grande profissional e sempre preocupado com a qualidade e desempenho do mercado publicitário”.
 
Antoninho Rossini: “Uma boa parte da história da propaganda brasileira foi embora. Por onde Elóy passou, deixou amigos. Autor de livros sobre os meandros da criação publicitária, tinha planos de concluir mais um, sobre o qual tínhamos agendado um encontro nos próximos dias em S. Paulo”.
 
Fernando Vasconcelos: “Perdi um amigo que vai deixar muita saudade. Conversávamos constantemente. Um ser humano maravilhoso. Esteve presente no júri do Prêmio Colunistas Brasília por quase três décadas. Antes da sua recaída disse a ele: ‘melhora logo porque vou precisar de você no júri do 30º Prêmio Colunistas Brasília’. Resposta: ‘irmão, se for da vontade de Deus, estaremos juntos’”.
 

*Transcrito do propmark edição de 11.08.2014. 


Publicado em 15/07/14

Claudia Gasparini | Exame 
 
Ao contrário do que se poderia pensar, dar atenção às bobagens e investir na quantidade e não na qualidade das ideias são algumas atitudes essenciais para que a dinâmica funcione.
 
A seguir, EXAME.com lista alguns cuidados básicos para fazer um brainstorming de qualidade:
 
1. Saiba o que é (e para que serve) o brainstorming
Todos os participantes precisam entender que o processo vai muito além de “uma listinha de ideias”. Na verdade, o brainstorming é uma dinâmica que exige flexibilidade, liberdade e suspensão das censuras. Só compreendendo isso você poderá aproveitar o método - e julgar se ele é realmente pertinente para o projeto em questão.
 
É o caso de Camila Laguzzi, coordenadora da agência de apresentações La Gracia. Ela e sua equipe usam intensamente a técnica para gerir projetos, mas não em todos os casos. “Alguns projetos simplesmente não acomodam esse tipo de dinâmica, e precisamos buscar outros métodos adequados a eles”, explica.
 
2. Abrace as “bobagens”
“Só saímos do clichê quando nos permitimos falar besteiras”, diz Gisela. Isso significa liberdade total para os participantes da reunião. Censurar o outro é proibido.
 
Aquilo que parece, a princípio, uma grande tolice pode ser o caminho para uma ideia original e viável, se bem trabalhada posteriormente. O segredo é não se preocupar e deixar fluir pensamentos aparentemente infantis, absurdos e ridículos.
 
3. Tenha um tema definido
Por mais que a liberdade seja um grande valor a ser preservado durante o brainstorming, é importante que todos os participantes saibam muito bem por que estão ali.
 
“Você precisa estabelecer um problema claro a ser resolvido pelo grupo, que pode ser formulado em uma única pergunta, tópico ou expressão”, diz Gisela. Se o tema for complexo, vale dedicar algum tempo para explicá-lo cuidadosamente a todos.
 
4. Estabeleça um tempo máximo
Outro fator que ajuda a produtividade é estabelecer um limite de tempo. Segundo Gisela, esse é um elemento importante para pressionar o grupo. Se não houver um controle nesse sentido, a sessão pode se estender demais e perder o rumo.
 
“Um brainstorming de qualidade com seis pessoas, que dure apenas de cinco a dez minutos, pode gerar cerca de 200 ideias”, diz Gisela. Se o tempo for livre, esse volume pode transbordar - e dificultar o manuseio das propostas posteriormente.
 
5. Conte com um facilitador
A dinâmica precisa incluir uma pessoa neutra, cujo papel é observar o processo e cuidar do fluxo de ideias. “O facilitador impede que alguém seja censurado ou que uma pessoa se exceda ao tentar vender sua ideia para o grupo”, explica a especialista Gisela Kassoy.
 
Outra função dessa figura é ajudar a equipe a não perder o foco. Se as pessoas começarem inadvertidamente a tratar de outros temas, cabe a ele lembrá-las sobre a pergunta original da dinâmica.
 
6. Trabalhe num grupo heterogêneo
Como o brainstorming é baseado em volume e liberdade de ideias, quanto mais cabeças diferentes estiverem trabalhando juntas, melhor. Segundo Gisela, clientes, fornecedores, usuários finais e outros participantes diversos são bem-vindos.
 
Camila Laguzzi, da La Gracia, confirma a importância da heterogeneidade. “Pela nossa experiência, apimenta muito o processo juntar várias pessoas, homens e mulheres de áreas diferentes, não necessariamente ligadas ao projeto em si”, conta.
 
7. Esteja à vontade
O grupo precisa estar relaxado para funcionar. “De nada adianta chamar um cliente para tornar a discussão mais rica e diversa, mas ficar constrangido em falar dos ‘podres’ da empresa na frente dele”, alerta Gisela.
 
Segundo a especialista, esse é outro papel do facilitador do brainstorming: garantir que o grupo esteja confortável o suficiente para falar o que lhe vem à cabeça, sem filtros.
 
8. Registre tudo rapidamente
Seja numa lousa ou em post-its individuais, é preciso passar as ideias levantadas para o papel. Também nesse aspecto do brainstorming, vale o princípio de que a quantidade é soberana.
 
“O registrador não deve ser a pessoa que escreve ‘bonito’, com letra caprichada e todos os acentos, mas sim quem consegue escrever o mais rápido possível”, aconselha Gisela. Isso porque todas as propostas devem ser registradas, sem exceção.
 
9. Pense duas vezes antes de fazer um encontro online
De acordo com a especialista Gisela Kassoy, embora não seja proibido, fazer um brainstorming à distância, por teleconferência, pode gerar alguns problemas que merecem consideração.
 
Para Camila Laguzzi, da La Gracia, as dinâmicas presenciais são sempre melhores. Se um ou mais participantes participam remotamente, podem surgir distrações, como emails ou telefonemas. “Falta também a empolgação, a energia do brainstorming feito ombro a ombro”, diz.
 
10. Não discuta todas as propostas levantadas 
Brainstormings de qualidade podem gerar centenas de ideias em poucos minutos. “É um equívoco querer discutir cada uma delas em profundidade ao fim do processo”, afirma Gisela.
 

Depois de registradas todas as propostas, vale pedir para as pessoas assinalarem somente aquelas que merecem ser analisadas. Limpando os excessos, otimiza-se o tempo do grupo e pode-se chegar a boas ideias mais rapidamente. 


Publicado em 17/06/14

Irene Knoth*
Cada vez que vou a Cannes, tenho a sensação de que somos verdadeiros chefs da comunicação. Pegamos algumas receitas clássicas, requentamos com alguns temperos novos e, voilá, redescobrimos que fazemos a mesma coisa com alguns gadgets novos. Assim é com o Storytelling, o Branding, o Branded Content e, segundo a palestra do Big Spaceship, o fim do Departamento Criativo, já que todos que estão nesta profissão devem ser criativos. O interessante é que, felizmente, este vírus criativittis existus já circula há uns bons anos dentro das marcas mais inovadoras. Não dá pra esquecer o show que o Jonathan Mildenhall deu em 2011, demonstrando claramente o porquê da marca Coca-Cola ser o que é hoje, tendo um talento como ele no cargo de VP da estratégia da marca e pela excelência criativa. Veja bem: criatividade no cargo!
Em 2003, quando saí da Lowe, onde era VP de criação e Diretora de Criação Latam, para abrir a IK Ideas, sabia muito bem o que queria continuar fazendo, mas não existia um nome pra isso. Então eu chamei de Consultoria de Estratégia Criativa, já que representa a criatividade antes de virar uma execução, como um comercial ou qualquer outra peça. O conceito da campanha, antes da campanha em si, independente do meio, da ferramenta. O conceito de um produto. O conceito de uma marca. Tanto que os dois primeiros jobs foram o Manifesto de Dirt is Good para o João Campos, então Regional de OMO, e a ‘prancha conceito’ de MP3 (lançamento de Omo Poder Azul) para a Maria Inez Murad, então Omo Brasil.
Devido ao sucesso, esta pequena diferença no processo chamou a atenção dos globais da Unilever, que instituíram o famigerado Key Visual. Antes de jogarem ovos e tomates em mim, é bom lembrar que a tal prancha conceito foi desenvolvida como briefing. E ela não deve ser uma responsabilidade da criação ou do planejamento, mas de criativos estratégicos junto com planejadores criativos. Assim, concordo totalmente que não deve mais existir o departamento criativo nas agências. Mas deve começar a existir um departamento criativo nos clientes. É isso que o Jonathan apresentou brilhantemente em 2011.
*Sócia-fundadora da IK Ideas | Meio & Mensagem

 


Publicado em 06/06/14

As marcas de comida e bebida do Reino Unido estão se valendo de uma brecha na legislação para anunciar na internet produtos que não podem ter sua comunicação veiculada na TV devido às leis de publicidade infantil no país. E a principal ferramenta usada para isso são os advergames. Uma pesquisa da Universidade de Bath aponta que os advergames – jogos online criados pelas marcas – são amplamente usados para divulgar produtos com altos níveis de sal, açúcar e gordura, uma vez que a publicidade desses itens foi proibida nos programas de TV infantis. Como a lei aponta restrições somente para a televisão, os jogos foram a alternativa encontrada pelas marcas para chegar ao seu público-alvo.
 
O estudo aponta também que consumidores de até 15 anos não reconhecem advergames como anúncios, e sim como jogos para diversão. Como os games são persuasivos e interagem com as crianças em nível emocional, eles podem representar um problema na mudança de comportamento e do consumo dos jovens. De acordo com a WFA (sigla em inglês para Federação Mundial de Anunciantes), as crianças europeias veem 31% menos anúncios de produtos do tipo na programação da TV que nos últimos anos, resultado de um esforço conjunto das autoridades e das empresas para mudar esse panorama publicitário e evitar o endurecimento das regras em torno da publicidade infantil. 
 
Os autores do estudo, porém, alertam que as leis não devem se restringir somente à televisão e devem abordar também as mídias digitais. A Universidade de Bath recomenda que os órgãos regulatórios do Reino Unido passem a classificar também os advergames e a debatam quais técnicas devem ser legalizadas para anunciar produtos alimentícios às crianças. No Brasil, também não existe uma legislação que forneça parâmetros para esse tipo de estratégia publicitária.
 
A preocupação dos britânicos diz respeito à internet devido às alternativas que o meio digital apresentou aos anunciantes, mas a TV ainda deve ser a principal preocupação no que concerne a publicidade infantil, já que permanece como o meio mais consumido pelas crianças. Um estudo da Nielsen do último trimestre de 2013 aponta que nos Estados Unidos os consumidores de até 11 anos assistem a 111 horas de televisão tradicional por mês. Além disso, esse grupo passa mais de 9 horas mensais assistindo a DVDs e outras formas de vídeos sob demanda. Quando colocada em comparação a outras mídias eletrônicas, a TV também aparece como favorita na pesquisa do Joan Ganz Cooney Center. Em média, os americanos de dois a 10 anos passam 1h20 por dia assistindo televisão e menos de 20 minutos no computador, com videogames ou em dispositivos móveis. (Via propmark)

 


Publicado em 04/06/14

Kate Kaye, do Advertising Age
 
Dove, Adidas e JetBlue têm altos índices de satisfação em seus programas de fidelidade, segundo um novo relatório da Bond Brand Loyalty (anteriormente conhecida como Maritz Loyalty Marketing). Na quarta edição do estudo anual, que ouviu mais de seis mil consumidores, a agência descobriu que 69% dos participantes desses tipos de iniciativa estão satisfeitos. “Não existem muitas marcas sem algum tipo de programa de fidelidade“, diz Scott Robinson, estrategista de fidelidade de consumidor da Bond.
 
De fato, parece que atualmente os jovens consumidores esperam que as marcas ofereçam programas de incentivo. Quase 30% da amostra disse que fidelidade às marcas exige um programa. Os CMOs devem reagir negativamente à informação de que apenas um terço dos consumidores é leal às marcas, acredita Robinson. “Os executivos da área de fidelidade vão dizer ‘vou ganhar meu aumento neste ano’”. O percentual passa para 37% quando consideradas as respostas dos millennials entrevistados pelo estudo. Os jovens disseram que não seriam leais a uma marca que não tivesse um forte programa de fidelidade.
 
Esses millennials, pessoas entre 20 e 34 anos, também alteram seus hábitos de compra em função de ofertas dos programas de relacionamento das empresas. De acordo com a pesquisa, 68% mudam o momento e o local da compra para conseguir recompensas dos programas, e 60% mudam de marca se incentivados. As pessoas participam, em média, de 10,4 programas de fidelidade, segundo a Bond, embora sejam ativos em apenas 70% deles. No entanto, os consumidores estão mais desconfiados em relação à entrega de informações pessoais aos programas. Enquanto no ano passado 29% dos entrevistados afirmaram que não sabiam exatamente o porquê de os programas exigirem a divulgação de seus dados pessoais, neste ano o percentual subiu para 32%.
 
“A boa vontade para compartilhar informações pessoais está fortemente relacionada à confiança”, apontou o estudo, destacando que 49% dos membros que acreditam que o programa é confiável estão dispostos a compartilhar informações – número mais de três vezes superior à média. O uso de dados pessoais é considerado cool por entrevistados que receberam descontos baseados em compras anteriores, ofertas customizadas, convites para eventos e que fazem parte de comunidades online sobre programas de fidelidade.
 
Quem são os melhores no jogo da fidelidade?
 
A Bond Brand Loyalty listou os principais programas de fidelidade em várias categorias. A seguir as empresas que ficaram em primeiro lugar em suas respectivas áreas e a chave para o sucesso em termos de satisfação do cliente.
 
Bens de consumo
Dove (potencial de ganho total)
 
Restaurantes
Papa John's PapaRewards (membros se orgulham de fazer parte)
 
Entretenimento
AMCStubs (potencial de ganho total)
 
Cartões de pagamento
Chase Southwest Airlines Rapid Rewards Premier (qualidade das recompensas)
 
Varejo
Kohl's Rewards (potencial de ganho total)
 
Supermercado
Giant Eagle Fuelperks (capacidade de oferecer prêmios desejados em tempo hábil)
Farmacêutico
RiteAid Wellness (potencial de ganho total)
 
Vestuário
Adidas (potencial de ganho total)
 
Telecomunicações
Verizon (membros se orgulham de fazer parte)
 
Companhia Aérea
Jet Blue TrueBlue (qualidade das recompensas)
 
Hospitality
Marriott Rewards (programa é confiável)
 
 

 


Publicado em 25/05/14

Bob Ivins, do Advertising Age
 
O tempo deu o tom para a receita do primeiro trimestre, com a maioria das empresas citando condições extremas – ou seja, o vórtice polar – como uma das razões para maus resultados de lucros. Isso não é surpresa. A história prova, assim como a lógica sugere, que as pessoas não farão testes de direção, comprarão ingressos de cinema ou, em alguns casos, nem sairão de suas casas quando houver dois metros de neve no chão ou uma polegada de gelo nas estradas. No entanto, eles carregarão lenha, pegarão água engarrafada e assistirão vídeos sob demanda. É muito simples. O clima afeta muitas categorias e marcas, desde a indústria automobilística e de químicos até a área da saúde e bem-estar e de restaurantes fast food.
 
Com base nos acontecimentos dos últimos anos, a única coisa que podemos prever com precisão é que o clima extremo continuará a ser predominante e imprevisível. Então, como as empresas e indústrias podem fazer suas apostas contra esta incerteza financeira? Eles podem quantificar como os eventos climáticos afetaram seus negócios, tanto positiva como negativamente, e se prepararem para ajustar os investimentos de mídia para tirar proveito dessa relação. Resumindo: dobrar as estratégias quando as condições estão perfeitas, e não investir quando não estão. Esses ajustes em tempo real podem fazer a diferença entre um bom e um mau trimestre.
 
Dados são os aliados mais poderosos no marketing. Ao olhar para os dados meteorológicos, podemos prever o comportamento das pessoas - quando eles saem, para onde vão, o que comem e o que compram. A novidade é que a maioria das categorias tem condições de tempo boas e más, e essas condições podem ser previstas com precisão dez dias antes. Por exemplo, podemos identificar as condições climáticas ideais que motivam os consumidores a fazer um test drive ou comprar um bilhete de cinema. Com essa informação, podemos olhar para previsões do tempo e identificar geografias, onde essas condições estarão presentes e aumentar ou diminuir as estratégias de mídia.
 
 
1 - Esteja sempre pronto: identifique com antecedência os padrões e eventos que afetam o comportamento do consumidor relacionados à sua marca, tanto positivos quanto negativos. Utilize este conjunto para filtrar a análise de dados em uma base diária ou para tomar decisões sobre o conteúdo, conversa e estratégia de mídia. Verifique se o seu plano de marketing inclui áreas que influenciam as vendas.
 
2 – Tenha um orçamento flexível: certifique-se de que você deu a sua agência de mídia flexibilidade no orçamento e escala para fazer mudanças em tempo real na alocação de meios de comunicação. Limpe o caminho antes do tempo para garantir que as equipes das agências e marcas possam agir rapidamente.
 
3 – Procure dados: aprenda, otimize e melhore. Quanto mais você ajustar suas campanhas e conversas, mais dados você estará coletando. Aprenda a aprimorar o seu conteúdo social e colocação de mídia. Faça mais alterações que impactem positivamente o seu negócio.
 
Nem sempre é a grande publicidade que dá vantagem sobre a concorrência ou que evita que os lucros trimestrais diminuam. São os ajustes do dia-a-dia que criam a mudança organizacional e de crescimento sustentável. (Tradução: Bruna Molina | Via Meio e Mensagem)

Publicado em 05/05/14

Mudanças ocorrendo a uma velocidade exponencial têm afetado todas as indústrias, e o mercado publicitário não é exceção. Evoluções na tecnologia, a aceleração dos ciclos geracionais, a massificação da presença de sensores e a digitalização do espaço físico são forças quebrando paradigmas e “mudando o mundo para sempre”, nas palavras de Andrew Lippman, fundador e diretor do Media Lab do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) O pesquisador esteve no Brasil para participar do Think Agency with Google, evento que reuniu os principais executivos do mercado publicitário, e falou sobre o que está mudando a sociedade humana “de uma maneira sem volta”. Segundo ele, estamos no segundo momento da revolução digital, que teve sua primeira fase com a criação do computador pessoal, há 35 anos. Nessa nova fase, ele afirma que há quatro elementos disruptivos: big data, pessoas, sensores e espaço.
 
Lippman explica que big data é diferente de apenas um grande volume de dados e que seu grande diferencial está na possibilidade de cruzar informações de diferentes segmentos, o que permite ângulos de leitura distintos para um mesmo conjunto de dados. Somado a isso, o crescimento de sensores, hoje “espalhados por todos os lugares”, permite maior mensuração do espaço físico. Já a entrada deste no domínio da computação tem permitido o surgimento de produtos antes considerados impossíveis, como o carro autodirigível do Google. “Esse é um produto fruto de um ‘street view’ melhor, que é resultado de um entendimento do espaço, ocasionado pela maior presença de sensores e pela leitura mais potente de diferentes fontes de dados”, disse.
 
Lippman argumenta que, dos quatro elementos, a transformação mais profunda está nas pessoas, que têm se adequado a ciclos tecnológicos cada vez mais curtos devido à aceleração dos ciclos geracionais. “Costuma-se dizer que o mundo está andando mais rápido. Mas não é a tecnologia que está mudando, e sim as pessoas”, disse. Os quatro elementos juntos, afirma Lippman, “irão mudar o mundo para sempre”. “É tudo acerca da mudança. Ela irá acontecer de forma rápida e não será pela tecnologia, mas devido às pessoas e às novas gerações despontando a cada quatro anos. Assegurem-se que vocês estão entendendo as pessoas”, aconselhou.
 
Salim Ismail, um dos fundadores da Singularity University, localizada no Vale do Silício (EUA), afirmou que as organizações precisam se preparar para o crescimento exponencial da tecnologia, que terá saltos cada vez maiores. “Nossas estruturas estão pensadas para atuar em um ambiente linear e previsível, mas vivemos tempos exponenciais e fazendo negócios em escala global. Nós só estamos no começo da revolução digital. O nosso conselho para as organizações é que suas lideranças tomem consciência dessas mudanças”.
 
Mas como adaptar o negócio das agências à aceleração tecnológica? O britânico Mark Howe, diretor de agências para a Europa do Google, trouxe do Reino Unido alguns insights sobre o aprendizado que as grandes agências tiveram naquele mercado, onde o digital lidera o bolo publicitário, com 34% dos investimentos.
 
O primeiro conselho de Howe para os executivos brasileiros foi: não percam tempo. “No Reino Unido, as grandes agências foram lentas. Elas optaram por fazer o que sempre fizeram, acreditaram que fazer o suficiente era bom o bastante. Então, empresas especializadas em digital ocuparam o espaço que antes era delas”, provocou. O executivo disse que a dificuldade de resposta ágil das empresas ao digital pavimentou o crescimento de empresas como Starcom, Adobe e Havas Media.
 
Apesar de dizer que “nunca houve um momento mais difícil para o planejamento de mídia”, Howe ressaltou haver novas oportunidades para fazer negócios e para aumentar a margem das agências, como cobrar preços mais altos para expertise específica. Ele também aconselhou as empresas para que comecem a cobrar pelo que “fazem”, não pelo que “vendem”.
 
O executivo defendeu ainda que as agências reconheçam quais as implicações do digital em suas estruturas organizacionais. “Há um alto teor de complexidade que não é reconhecido pelos clientes, mas também não é observado pelo board das agências. Mantenham o foco em organizações externas, como o MIT, para saber o que está acontecendo no mundo lá fora”. Além disso, ele sugeriu que elas invistam em talento e que se atentem a poucas soluções tecnológicas. “Menos é mais”, resumiu.

Um dos líderes presentes na plateia, Orlando Marques, CEO da rede Publicis no Brasil e presidente da Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), disse que estava no encontro “para aprender”. Ele afirmou que está sendo montado um comitê de digital dentro da Abap, com profissionais de agências especializadas, para ajudar o mercado a pensar campanhas integradas. “Como entidade, nosso papel é trazer informação”, disse. “Devemos estar com o comitê de pé no segundo semestre”, revela. (Keila Guimarães | propmark)

Publicado em 30/04/14

- Ame seus clientes e respeite seus concorrentes;
- Seja sensível à mudança e esteja pronto para se transformar;
- Proteja seu nome (marca) e deixe claro quem é você;
- Um cliente é diferente do outro. Procure primeiro aqueles que podem se beneficiar mais de você;
- Ofereça sempre um bom pacote por um preço justo;
- Esteja sempre disponível e divulgue as boas novas;
- Conheça seus clientes, cultive-os e conquiste outros;
- Não importa em qual setor você atue. Será sempre no setor de serviços;
- Aperfeiçoe sempre seu processo de negócio em termos de qualidade, custo e entrega;
- Colete informações relevantes., mas use a sua sabedoria para tomar a decisão final.
 
P.S. Quando perguntarem a você o que é realmente o marketing, responda com essa definição claríssima da American Marketing Association:
 
“Marketing é a atividade, conjunto de instituições e processos para criar, comunicar, oferecer e trocar ofertas que tenham valor para os consumidores, clientes, parceiros e para a sociedade como um todo.
 

 


Publicado em 26/04/14

Maurício Stycer*
 
Empreendimento sustentado por publicidade (e venda de horários para igrejas), a TV comercial aberta no Brasil sempre recorreu à métrica da audiência e ao perfil socioeconômico dos espectadores para estabelecer parâmetros. Quanto maiores os números e mais qualificado o público, mais dinheiro. Os tempos são outros -e a lógica de funcionamento deste modelo está em completa transformação. O aparelho de TV hoje está presente em 97% das residências do país. Houve um importante fenômeno de mobilidade social provocado pelo aumento de renda das classes C e D. Operadoras de TV paga já têm mais de 18 milhões de clientes (o alcance pode ser multiplicado por dois ou três). Novas tecnologias permitem o acesso a conteúdo produzido pelas emissoras em telefones, tablets, notebooks etc.
 
A audiência média das TVs abertas despencou. As explicações são desdobramentos dos pontos elencados acima. Opções de lazer estão acessíveis a mais gente, a TV paga oferece mais variedade, o consumo de games disparou etc. Estou simplificando bastante para entrar logo no assunto principal. Por que a Rede Globo afirma não ter mais metas de audiência? A nova postura da emissora, enunciada por seu novo diretor-geral, Carlos Henrique Schroder, em fevereiro de 2013, foi detalhada agora, um ano depois, em um encontro com jornalistas. "Temos que tirar da frente a obrigação de entregar pontuação. Temos que entregar o produto. A audiência virá como consequência", registrou a coluna de Mônica Bergamo, na Folha, no ano passado.
 
Na última semana, Schroder desenvolveu a ideia: "Faço uma brincadeira interna. Você é o técnico da seleção brasileira. Vai disputar um jogo. No vestiário, você diz para os jogadores: 'Ganhem por 4 a 2'. Estipular meta é mais ou menos isso. Então, não! Se ganhar de 4 a 2, ótimo. Mas o mais importante é jogar bem, ganhar, fazer bonito, agradar a torcida. Arriscar é isso. Jogar bem e, às vezes, a audiência não atingir aquilo que a gente imaginou ou pensou".
 
Dirigindo-se a uma jornalista, perguntou: "Você acha que a novela das seis vai dar audiência?". A resposta: "Acho que não". E ele: "Você acha que não. Foi discutido o conteúdo, foi discutida a produção, foi discutido o jeito de fazer. A gente acredita no produto? Acredita. Se eu digo que a novela das seis tem que dar 20 pontos de audiência, é uma volta ao modelo antigo. Não estou dizendo: 'Aceitamos qualquer resultado'. Não é isso. Se a relevância do produto for, de fato, conseguida, tenho certeza que a audiência vem".
 
Os mais céticos dirão que o discurso é somente questão de sobrevivência, falta de outra opção. Pode ser. Mas vejo de forma positiva. "Meu Pedacinho de Chão", a novela das 18h a que se referiu Schroder em sua pergunta, registrou índices abaixo da média do horário em seus primeiros capítulos, mas é uma preciosidade, uma experiência estética inovadora dentro da emissora e no gênero.O frenesi das notícias sobre "recordes negativos" de audiência não vai diminuir, a despeito do discurso de Schroder. Mas, se nestes novos tempos, a programação da emissora seguir, de fato, numa direção menos óbvia e até ousada, o espectador terá motivos para agradecer.
 

*Jornalista, repórter e crítico do Portal UOL. Publicado originalmente na Foilha de S.Paulo em 13/04/2014. 


Publicado em 21/04/14

“A mobilização de diversos setores da sociedade quando o assunto é o futuro da internet reflete a importância da estrutura para áreas tão diversas como a economia, comunicação, cultura, política e educação. A consulta pública, realizada entre os dias 20 de março e 17 de abril por meio da plataforma ParticipaBr, ambiente de participação social da Secretaria Geral da Presidência da República, é mais uma etapa desse processo de construção contínua. Seu resultado já integra o acúmulo de conhecimento produzido há 25 anos acerca do tema.
 
A princípio, a consulta recolheria apenas as 15 propostas mais priorizadas. Contudo, diante do resultado da pesquisa, que revelou grande qualidade e semelhança temática nas propostas, foram aglutinadas outras 26, somando um total de 41 ideias que serão apresentadas durante o evento #ArenaNETmundial, em um momento no qual ele estará conectado ao vivo com a conferência NETmundial. Com isso, a organização garantiu uma ampla participação e diversidade saindo a lógica competitiva e preservando a lógica cooperativa, característica da cultura digital.De maneira geral, o resultado da consulta aponta para 6 eixos: 1) Melhoria na qualidade e velocidade do serviço prestado; 2) Direito de acesso à rede e à informação; 3) Garantia de liberdade de expressão; 4) Privacidade e segurança; 5) Neutralidade; 6) Inimputabilidade da rede.
 
Os responsáveis pela distribuição do sinal de internet devem investir em equipamento para disponibilizar 100% do sinal e não somente 10%”, responde a proposta mais bem colocada para a pergunta “Que Internet você quer?”. Já a resposta mais bem colocada à pergunta “Quais direitos você considera fundamentais para o futuro democrático da internet” sinalizou que “o Brasil necessita que sua população tenha total acesso a quaisquer informações políticas através da rede para que fatores como a corrupção possam ser reduzidos”. A ideia de que “o Marco Civil deve garantir a neutralidade da rede, privacidade e a liberdade de expressão como forma de não permitir monopólios na produção e acesso a conteúdos” esteve melhor colocada na terceira e última pergunta da consulta sobre “quais princípios devem orientar a governança da internet”.
 

 


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