O mundo está ficando chato
24/02/17

Por Pedro Cherem - Publicitário, presidente do Sinapro/SC e diretor da ADVB/SC

O mundo está ficando chato? Infelizmente, sim. E nós que trabalhamos com propaganda e geração de conteúdo, temos enfrentado cada vez mais isso no nosso dia a dia. O politicamente correto está corroendo a graça do mundo. Nada mais pode. As piadas estão empobrecendo, a liberdade das palavras está sendo corroída por cuidados idiotas. Zoação muitas vezes virou bullying, brincadeiras com características das pessoas podem ser tachadas de preconceito, “piadas de português” viraram indícios de xenofobia e por aí vai.

Ao fazer um comercial de TV temos que começar com a lista do que não podemos dizer e o que devemos mostrar: tem que ter cotas raciais no elenco, não pode fazer menção a sexo, drogas, álcool, mostrar animais, crianças consumindo produtos inapropriados, mulheres expondo seus corpos, obesos em situações que podem vir a ser consideradas constrangedoras e uma infinidade de outras coisas.

Seguindo a lógica atual, clássicos como o Gordo e o Magro seriam proibidos. Tom e Jerry, seria taxado como incentivo à violência e maus tratos aos animais. Coyote e Papa-léguas nem se fala. Didi chamando Mussum de “ave negra” seria alvo de processo. Costinha contando piadas de “bichinhas”, preconceito. Logo, logo, não veremos mais mulheres mostrando seus corpos em concursos de miss. E teremos um mundo cada vez mais chato, sem piadas, sem brincadeiras, sem risadas.

Até a obra de Monteiro Lobato foi quase proibida (a peça de teatro com exploração do ânus alheio podia!). Que mundo é esse que alguns querem deixar para os nossos netos? Um mundo sem cor, sem liberdade para brincadeiras, sem liberdade de expressão, sem graça.

Queremos tudo pasteurizado, da mesma cor, morno, sem altos e baixos, sem diversão, sem zoações, sem gargalhas de tirar o fôlego? Está na hora de dar um tempo nessa perseguição desenfreada ao politicamente correto exagerado. Está na hora das crianças voltarem a brincar na rua sem medo de caçoar os amiguinhos e chamá-los pelos apelidos (careca, narigão, banguela, baixinho). Com respeito ao outro, à diversidade de raça, gênero, deficiências, é claro, mas está na hora de tirar a chatice do mundo.

Queremos piadas engraçadas de novo. Comerciais que nos façam rir, programas de humor como os de antigamente, brincar sem culpa com o colega do lado (claro, se ele topar entrar na brincadeira). Comerciais que mostrem coisas bonitas, como uma bela moça de biquíni. Como disse um publicitário um dia, quando essa política de controle começou: “Melhor a bunda na propaganda do que uma propaganda bunda”. Será que vão publicar isso?



Voltar
login

Contribuição sindical

Para gerar a guia do recolhimento de contribuição sindical clique aqui .
 
NEWSLETTER